07 fevereiro, 2018
POESIA | 'Sem Rosto [Submundo]'
SEM ROSTO [Submundo]
Caminhei entre dores
Colhi tantas flores
Fiz de muitos meus amores.
Viajei para muitos recantos
deste ilimitado mundo.
Circulei entre intelectuais
Girei nas rodas sociais
Fui das elites culturais
E até me encantei com o Submundo.
Expressei sem receio o que penso
Vaguei entre os astros
E o que vivi
foi profundo e intenso.
Senti as emoções que podia.
A viver desmedida vida, me atrevia
Era jovem, sem malícia
E acreditava ao que
meu coração pretendia.
Fui simples, fui importante
Fui protagonista, Fui plateia
Fui figurante.
Ao fluxo da vida
Sem temor me joguei.
Ora fui lord,
Ora como súdito, penei.
E então a aventura chegou ao fim.
Voltei ao ponto de partida
E nem sei o que fiz de mim!
Só sei que vivi
Intensamente, num universo meu
aonde ninguém perdeu
Somente Eu!
Perdi-me para mim mesmo,
Ontem, para um EU que desconhecia
Hoje, para um EU que se silencia
Eternamente para um Eu,
Que nem EU mesmo sabia...
Que existia!
Fiz do Futuro um Presente tão incerto
O que vivi, sabia ou fiz
com tanta ânsia...
Agora já não tem mais importância.
Em principio parecia certo,
e agora me vejo em um deserto.
Dei-me com meu aspecto,
Que perdido adoeceu
E já não sei mais ao certo
Quem era, ou quem fui
Ou quem sou, entre tantos...
...EU!
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Por Clóvis Assis*
(*todos os direitos reservados)
